
Diante da larga vantagem da petista Dilma Rousseff na corrida eleitoral, as especulações sobre o seu ministério, caso ela ganhe a eleição, já chegaram a Wall Street.
Segundo o último boletim da influente consultoria Eurasia Group, de Nova York, que avalia riscos político-econômicos, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o deputado petista Antonio Palocci, o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, e o secretário de política econômica do ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, devem ocupar postos chaves num eventual governo Dilma.
Para a dupla de analistas Christopher Garman e Erasto Almeida, do Eurasia, “é possível que Coutinho emerja como o mais poderoso conselheiro econômico de Rousseff.”
De acordo com o Eurasia, Coutinho seria nomeado ministro da Fazenda, onde poderia acelerar reformas microeconômicas e a reforma fiscal.
Já Palocci, hoje o mais poderoso assessor da campanha de Dilma, ocuparia a Casa Civil, tendo por missão “coordenar a base de apoio do governo no Congresso para formular a agenda de reformas. Caso Dilma não nomeie Palocci para o cargo, a Casa Civil poderia ser ocupada pelo atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ou pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.”
Para o Banco Central, o Eurasia aposta em Octávio de Barros, do Bradesco. “Nosso nível de confiança neste nome é alto, e quem chefiará o Banco Central é uma das maiores interrogações para a administração Roussef”, diz o boletim.
“A escolha dele [Barros] reflete a avaliação de que provavelmente Rousseff irá buscar um presidente do Banco Central no setor privado que tenha a credibilidade de independência — mas alguém que tenha uma visão mais dovish e que possa trabalhar bem com Coutinho.”
Para o BNDES, o Eurasia aponta o nome de Nelson Barbosa. De acordo com a consultoria, apesar dos analistas não terem ouvido ninguém em Brasília mencionar o nome de Barbosa para o cargo, ele “tem uma relação de trabalho muito boa com Rousseff, mas parece um pouco imaturo para se tornar ministro da Fazenda ou presidente do Banco Central.”
Os analistas também se arriscam a prever que um eventual governo Dilma venha a ser marcado “por uma boa dose de pragmatismo, mas que ela não se tornará refém de seu maior aliado, o PMDB.”
A justicativa do Eurasia para o suposto alto nível de independência de Dilma em relação ao PMDB estaria no capital político a ser obtido por ela depois uma grande vitória no primeiro turno.
“Ela se beneficiará de uma ampla coalizão no Congresso e de uma oposição enfraquecida. Isso lhe dará alavancagem para garantir que os cargos mais importantes em sua administração sejam conselheiros muito próximos dela.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário